Metodologia de Tratamento em Casas de Recuperação

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O tratamento oferecido nas unidades clínicas de internação vai além da desintoxicação do paciente. Coordenado por profissionais da área de saúde, engloba a detecção de transtornos psíquicos (comorbidades) causados pelo uso abusivo de substâncias psicoativas tais como distúrbios de humor (bipolar), de ansiedade, de comportamento, entre outros. Caso sejam detectados, são tratados paralelamente à dependência química

O programa terapêutico tem foco na mudança de comportamento do paciente. Aplicado por equipe multidisciplinar está alicerçado na TCC (Terapia Cognitiva Comportamental), indicada para reavaliar a conduta do dependente e estabelecer um novo padrão de comportamento. Cada indivíduo é um ser único, com características próprias e,por isso, as abordagens são feitas de acordo com a necessidade do paciente. A função do psiquiatra no processo é a de evitar ou acentuar possíveis crises de abstinência, além de diagnosticar e tratar, com os recursos da farmacoterapia atualizada, distúrbios paralelos, aumentando a probabilidade de êxito na reestruturação de aspectos físicos, psíquicos e sociais, comprometidos pelo uso de substâncias psicoativas

A filosofia de tratamento é baseada no princípio de que a atenção ao paciente não se resume no fato de afastá-lo das drogas. Há um caminho de reversão dos mecanismos orgânicos (cerebrais e bioquímicos) e comportamentais (fatores psicológicos) que devem ser seguidos para que se alcance a normalidade do funcionamento do corpo e da mente.  

A grade terapêutica intensiva não permite tempo ocioso aos pacientes. Diariamente, eles são envolvidos em diversas atividades que se iniciam com a higiene pessoal, passando por exercícios físicos, atividades lúdicas e de orientação espiritual, sem vínculo religioso. São atividades que visam a integração e a valorização da autoestima. Para os momentos de lazer, as unidades dispõem de completa infraestrutura esportiva com piscina, quadras poliesportivas, salas de vídeo e ampla área verde, apropriada à prática de atividades físicas, como a caminhada.

Codependência também é doença

Não basta tratar o portador da dependência química e de distúrbios psíquicos, esquecendo-se de seus familiares. Numa relação comprometida com o doente, é praticamente inevitável o familiar se tornar um codependente, pois a proteção é a resposta mais comum por parte da família à dor ou à crise de alguém querido. Em muitos casos, a família passa a proteger o membro afetado numa tentativa de diminuir a dor e acalmar a crise.

Situações comuns, mas extremamente desgastante para os familiares que, acima de tudo, precisam estar fortalecidos, inclusive, para receber o portador da doença de volta, após um período de tratamento em regime de internação

Esse trabalho tem por finalidade fazer com que o familiar aprenda a lidar com a codependência, entenda o que são os transtornos mentais e esteja fortalecido psicologicamente para receber o dependente químico de volta. Os atendimentos, coordenados por psicólogos são feitos em grupos, horas antes das visitas aos pacientes, nas próprias unidades de internação ou em horários e dias previamente agendados. Também é importante frequentar um grupo de apoio na cidade onde reside.