É Melhor Internar… do que Enterrar

É Melhor Internar… do que Enterrar
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Quando se fala em internar o dependente químico surgem várias questões que podem deixar a família muito ansiosa, alguns até acham que é uma ação extremistas e sem resultados satisfatórios. E você? O que pensa sobre isso?

É claro que queremos fazer de tudo para tirar um dependente químico do caminho da morte. Dependendo do grau do vício, a pessoa não consegue valorizar mais a vida que tem, por isso é necessária uma ação de um familiar, outra pessoa ou uma organização para encaminhar o dependente químico à internação.

Muitos defendem que esta internação em clinicas de recuperação de dependente químico só terá resultados se ela for feita de modo voluntário, pois o primeiro passo para se livrar de um vício é reconhece-lo.

Mas como já foi dito muitos já chegaram ao ponto de perder a noção de suas próprias decisões, então a internação a força é a melhor forma de tentar poupar a vida de quem está perdido no caminho das drogas. Não encaminhar a pessoa a uma internação forçado pode ser um atentado contra o direito da pessoa de viver.

UM ESFORÇO A MAIS QUE VALE A PENA

Todo ano centenas de pessoas se recuperam em clinicas de internação para dependentes químicos. Os resultados são surpreendentes trazendo de volta a dignidade dos que se submetem ou são forçados a fazer um tratamento por meio da internação.

Infelizmente muitos passam pela triste experiência de perder um familiar para as drogas. Experiência que podia ser evitada com uma ou mais internações. Isso mesmo, apenas uma internação não seja o bastante para livrar a pessoa do mundo das drogas, mas pode ser a única esperança de salvar um dependente químico.

Não deixe que o remorso faça sua consciência pesada por não ter feito tudo ao seu alcance para tirar a pessoa do vício das drogas. Quanto antes tomar as devidas providencias para conseguir uma internação, maiores são as chances de recuperação.

De fato, internar é melhor que enterrar. Por isso todo esforço é válido, é muito melhor ter a consciência que o dependente químico está sendo cuidado em uma clínica do que o deixar a mercê das forças das drogas. Pois chega um ponto que o dependente que não terá mais como cuidar da própria vida e aí você precisa preservar a vida dele.

Movimentos sociais defendem que iniciativas no sentido de tornar as internações involuntárias a base do tratamento da dependência química no País são um retrocesso na luta antimanicomial, pela qual o Brasil hoje é internacionalmente conhecido. Um passo de volta na direção da realidade descrita por Carrano no livro "Canto dos malditos".

“Políticas emergenciais de internação involuntária e compulsória caminham na mesma direção dos modelos repudiados desde a década de 1940 do século XX, rejeitados pela luta antimanicomial e pela reforma psiquiátrica, que demonstraram a ineficácia do sistema de segregação em equipamentos fechados e representavam espaços de reclusão, miséria e reprodução da violência. A internação somente é possível como última forma de tratamento, depois de esgotadas todas as alternativas na área da Saúde e demais políticas sociais de garantia de direitos”, diz a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em carta contra o PL 7.663/2010.

A internação é a melhor forma de tratar a dependência química?

Diante da problemática da dependência química, surge o questionamento sobre qual seria a forma mais eficiente de tratamento. Existem duas alternativas hoje no sistema público de Saúde no Brasil: a rede Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) e, em alguns estados, as internações em comunidades terapêuticas financiadas, em parte, por convênios com o poder público.

Em relação às internações feitas sem a concordância do paciente, as situações nas quais podem ser aplicadas são bem delimitadas. Na Psiquiatria, estão muito bem caracterizadas as situações em que se pode fazer a internação involuntária. São cenários nos quais a pessoa perdeu totalmente a noção de realidade, o que chamamos de psicose. A imensa maioria dos dependentes químicos não são psicóticos; então, não se aplica a necessidade da internação compulsória para boa parte deles.

Fonte: Revista Forum